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Decorreu no passado dia 7 de Março a Gala Dinamite Night organizada pela Ex-campeã do mundo Dina Pedro onde teria prometido a todos os aficionados do Kickboxing uma noite memorável. O prometido foi cumprido, pois esta gala irá ficar de certeza na memória de todos os presentes por longos e largos anos. ________________________________________ Todos os requisitos estavam cumpridos para um excelente espectáculo. Desde um matchmaking de luxo até à lotação esgotadíssima do Pavilhão municipal de Mafra, tudo previa o que estava prestes a acontecer. Uma noite imprópria para cardíacos. O espectáculo iniciou com a actuação de um grupo de Hip Hop feminino que tiveram a missão de animar o público presente no local. ________________________________________ De seguida iniciaram os combates com o embate entre Octávio Vasconcelos e Paulo Gouveia. Foi um combate em que os dois atletas “encaixaram” muito bem o seu jogo, o que permitiu um grande equilíbrio durante todo o combate. Os dois atletas sempre se esforçaram para corresponder às investidas mútuas e por vezes responderam com espectacularidade com golpes isolados de bom efeito. No último assalto Octávio Vasconcelos, talvez por possuir maior frescura física, pressionou um pouco mais e aumentado a pontuação final dando-se como vencedor na contenda. ________________________________________ Depois foi a vez de Leonor Agostinho enfrentar a espanhola Ima Zhairi. Importante salientar que a atleta espanhola teria acusado no dia anterior mais 5Kg do que o peso acordado de -52Kg. Mesmo assim a atleta Lusa num acto de coragem não recusou o desafio e partiu para o embate. Pareceu um combate de David contra Golias, no qual o Golias teve de várias vezes recuar aos potentes joelhos e crosses de direita de David. O combate decorreu com Ima a infringir um maior número de golpes sobre Leonor mas com a Portuguesa a todo o gás para não dar a vantagem á adversária. No fim foi declarado um match nulo que só nos parecia justo pela atitude guerreira da atleta Portuguesa, visto que a Espanhola pareceu ter pontuado (muito á custa da sua superior envergadura física). Está de parabéns a Portuguesa na difícil tarefa que concretizou. ________________________________________ Entrada em cena da Campeã da Europa Catarina Valério contra a campeã Espanhola de Classe B Yasmina Musa. Grande expectativa para ver qual o resultado deste combate, pois era um grande desafio para a atleta Portuguesa. O combate iniciou com uma fase característica de estudo mutuo entre as atletas, mas sempre com vantagem da portuguesa devido a um bom trabalho de corpo a corpo. A Espanhola não ficou atrás mas nunca teve reais soluções para o bom trabalho táctico preparado para a Catarina. Nos últimos assaltos Catarina Valério “soltou-se” mais e começou a aplicar alguns golpes de punhos que obrigaram a sua adversária a redobrar a sua guarda. No fim a vitória foi com Naturalidade para Catarina Valério que viu recompensada a sua maior eficácia durante o combate. ________________________________________ Chegou a vez de Arlindo Silva e Diogo Neves mostrarem o que valiam. Diogo Neves com os segmentos corporais mais longos montou uma boa estratégia de média e longa distância para ganhar o combate com naturalidade. Mas a realidade foi que Arlindo Silva nunca parou desde o inicio ao fim do combate de avançar sobre o seu adversário e de uma forma incrível debitar golpes sem parar. A Diogo Neves pertenceu a eficácia e precisão dos seus golpes, enquanto a Arlindo Silva um coração do tamanho do ringue a parecer um guerreiro vindo dos filmes do Rocky em que nunca arredava o pé. No fim o premiado foi Diogo Neves numa decisão que poderia ter ido para ambos os atletas, sendo que este deverá ter sido premiado pela sua maior eficácia. ________________________________________ Depois entrou em cena a disputa do Titulo de Campeão Ibérico entre José Peres e o Espanhol Samuel Sanchez. Foi um combate de pouca história pois o Português dominou o combate do princípio ao fim até o terminar ao 3º assalto pela via mais rápida depois de já ter infligido várias contagens de protecção ao adversário. Fica na retina os excelentes apontamentos técnicos do atleta luso e a forma espectacular como fez terminar o combate com um pontapé rotativo de calcanhar á têmpora direita do seu adversário que ficou imediatamente “grog”. ________________________________________ Foi então a vez de Paulo Oliveira enfrentar Rui Oca. Num combate também bastante aguardado o veterano atleta Paulo Oliveira apresentou-se diferente do que nos tem habituado, pois desde o inicio do mesmo começou a pressionar o adversário e a desmultiplicar golpes com muita frequência. Contudo Rui Oca teve sempre a vantagem de infligir os seus golpes com muita potência e com Low Kicks que quase se ouviam na zona dos balneários. O combate foi sempre aumentando de intensidade e nenhum dos atletas arredava pé e acabara com bons apontamentos técnicos por parte de Paulo Oliveira que queria fazer a réplica do combate anterior com alguns rotativos á cabeça do adversário mas sem efeito. No fim sorriu a vitória a Rui Oca numa decisão muito contestada pelo público presente. ________________________________________ Depois surgiu a vez de Ruben Almeida enfrentar o atleta espanhol Oscar Rueda. O combate iniciou com o habitual estudo muito entre os dois atletas onde o Português esteve sempre com uma boa movimentação perante o seu adversário. Contudo o combate foi muito idêntico do inicio ao fim com muitas investidas no corpo a corpo por parte dos dois atletas. No fim o vencedor foi Ruben Almeida que conseguiu pontuar sempre mais que o seu adversário no trabalho de corpo a corpo. ________________________________________ Seguiu-se o combate internacional entre João Oliveira e Sahak. O atleta Português tinha pela frente um atleta da equipa “It´s Show Time” que vinha muito bem referenciado para o nosso país. Todos adivinhavam uma tarefa difícil ao Português. João Oliveira tentou desde cedo impor o ritmo do combate e criando maiores oportunidades utilizando o facto de ter os segmentos corporais mais longos. Contudo o seu adversário aproveitou muito bem o seu trabalho de entrada na curta distância sobre o atleta Português e ganhou alguma vantagem. No fim a Vitória foi atribuída aos pontos para o representante da “It´s Show Time” numa decisão que poderia ter sido atribuída para ambos os lados. ________________________________________ Chegou a vez de um dos embates mais aguardados da noite. Numa reedição do combate do Champions League de Loures, Ricardo Fernandes enfrentava mais uma vez José “Duba” Barradas. A tensão começou logo a acumular logo na entrada dos dois atletas no qual o publico vibrava logo com a entrada em cena destes dois atletas. Duba e Ricardo tinham pela frente um longo e duro combate em que os dois atletas sempre responderam ás investidas de ambos. Duba pareceu ser mais certeiro nos golpes de punhos isolados em que várias vezes fez recuar Ricardo Fernandes, contudo o seu adversário conseguiu sempre realizar combinações múltiplas de punhos com grande eficácia e ritmo. Foi um combate muito equilibrado e que criou uma grande manifestação pelo público presente. No fim a vitória foi encontrada aos pontos e a favorecer o atleta Ricardo Fernandes. Este combate tem de certeza motivos para um rematch devido ao equilíbrio sempre constante. ________________________________________ De seguida o combate que quase fez a casa ir abaixo! Mesmo antes de o embate iniciar o publico já estava todo de pé e ouvia-se um barulho ensurdecedor na entrada dos dois atletas. Humberto “Tyson” Évora enfrentava Eduardo Mendes. O tira teimas para o melhor peso pesado Português a valer o título nacional. Estava o clima criado para um combate histórico. Iniciou-se o combate e Humberto no seu primeiro golpe com um cross de esquerda faz o seu adversário cair e a iniciar uma contagem de protecção numa iniciativa que ninguém esperava. Mas logo após a recuperação de Eduardo Mendes este tentou contrariar com golpes muito efectivos de pernas e com joelhadas certeiras e precisas ao rosto e tronco do seu adversário. No segundo assalto Eduardo Mendes devolveu a gracinha inicial de Humberto com uma joelhada certeira inflige igualmente uma contagem de protecção. Esta a ser um combate impróprio para cardíacos e até durante o intervalo dos assaltos alguns elementos do publico não se conterão e invadiram o ringue de tanta emoção. No último assalto esperava-se tudo mas o publico teve de aguardar a decisão final da equipa de arbitragem para saber que o vencedor seria Eduardo Mendes. Eduardo faz então o inesperado e sagra-se campeão nacional de K1. ________________________________________ O último combate da noite foi entre os dois melhores atletas na categoria de -71Kg em Portugal. De um lado o recente campeão mundial WAKO-PRO - Arnaldo Silva, do outro um atleta com incontáveis títulos e uma das maiores referências da modalidade em Portugal - José Reis. Era o tira teimas entre estes dois atletas que ainda herdaram o clima de se instalou do ultimo combate. José Reis mostrou-se desde o iniciou muito esclarecido e a colocar desde logo todo o seu potencial em jogo com combinações muito rápidas de punhos e pernas. Contudo Arnaldo Silva foi crescendo durante o combate e colocava o seu adversário em sentido até ao momento em que com um potente e característico golpe de punho obrigou a uma contagem de protecção ao seu adversário. Estava ainda tudo em aberto e os dois guerreiros continuarem os seus esforços para levar de vencido o combate. Depois de algumas interrupções devido a manifestações externas ao combate, os dois atletas estiveram sempre a todo o gás. No fim foi declarado um match nulo que promete uma reedição deste combate. ________________________________________ Assim terminou uma das galas que irá certamente ficar na memória de todos os aficionados e todos com certeza irão querer uma reedição da mesma. Fica de parabéns a organização e a todos os atletas intervenientes.
Texto: Leonardo Cunha Fotos: Carlos Rodrigues
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